segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Acúmulo de funções e autocobrança são os principais riscos à saúde da mulher multitarefas

Ideal da mulher bem-sucedida moderna engloba inúmeras facetas. Mas é preciso ser consciente das próprias limitações para não entrar em conflitos e prejudicar a qualidade de vida
Uma agenda cheia, muitas cobranças. A mulher assumiu na modernidade o posto de multitarefas, no qual ela precisa fazer tudo ao mesmo tempo. E não é somente gerenciando a vida pessoal e familiar, com seus inúmeros afazeres, mas o mercado de trabalho também tem se voltado para profissionais que executam várias atividades simultaneamente. Para se ter uma ideia, o consumo de medicamentos controlados no Brasil aumentou 161% nos últimos 6 anos e o DF lidera esse ranking juntamente com os estados de Goiás e Espírito Santo.

Mas até que ponto isso pode deixar de ser uma questão de diversidade de escolhas e ser uma armadilha para a qualidade de vida? A psicóloga, especialista em terapia familiar sistêmica, Lia Clerot explica que o excesso de atividades que a mulher tem hoje pode ser prejudicial a partir do momento em que ela se exige a perfeição. “Muitas vezes a cobrança de excelência no desempenho de suas atividades não está apenas no outro. No campo profissional, a alta competitividade do mercado faz com que ela precise se superar o tempo inteiro, ser a melhor. Já na vida pessoal, amorosa e familiar, pode haver o sentimento de culpa por não ter tanto tempo disponível como gostaria”, ressalta.
Um estudo da Bar-Ilan University, em Israel, em parceria com a Michigan StateUniversity, nos Estados Unidos, mostrou que as mulheres chegam a trabalhar até 10 horas a mais que os homens em tarefas simultâneas. Essas atividades vão desde cuidar dos filhos enquanto prepara o jantar e lava a louça, atender a um chamado do chefe enquanto faz compras para a casa. E com a tecnologia sempre à mão, muitas vezes ela está no trabalho em contato com os filhos ou em casa de olho no e-mail corporativo.
“Antigamente esperava-se que a mulher fosse boa mãe e esposa. Hoje, a normatividade social exige que ela estude, construa uma carreira de destaque, case-se e tenha filhos. Por outro lado, esses valores da mulher super eficiente foi tão arraigado que ela se sente bem e na obrigação de ser multitarefas. O que precisamos explicar para as pessoas é que é possível conciliar tudo sem a ditadura da excelência. Ninguém consegue abraçar o mundo”, explica Lia.
Outra questão levantada pela psicóloga são os problemas para a saúde física e mental. Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos EUA, afirmam que frequentemente as pessoas multitarefas sofrem de déficit cognitivo, ou seja, têm menor capacidade de selecionar informações irrelevantes e prestar atenção, tendo um pior gerenciamento de memória. “Acaba faltando foco neste padrão de vida. E a pressão pessoal tende a aumentar consideravelmente, o que pode levar à estafa física, stress, insônia, surgimento de doenças psicossomáticas, além de transtornos psicológicos”.
Blindagem e culpa

Lia Clerot destaca outro ponto importante na vida multitarefas feminina. O nível de exigência cresce ao ponto de elas não aceitarem ajuda com receio das atividades não serem tão bem executadas. “Acontece muito de o companheiro querer ajudar ou desistir de tomar inciativa porque ela acredita que ninguém pode cuidar do filho ou da casa tão bem como ela. Ou ainda, que essa é sua obrigação exclusiva. Com os afazeres domésticos, pode não delegar ajuda aos filhos ou, quando o faz, corrige tudo porque não ficou como gostaria. Enquanto ela mesma não se permitir suporte daquelas que a rodeiam, ela continuará acumulando responsabilidades”. 
fonte Press comunicação

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