segunda-feira, 18 de abril de 2016

Dilma pode reverter impeachment, mas paga pela falta de diálogo, diz Costa

O senador Humberto Costa (PT-PE), líder do governo no Senado, acredita que o governo tem chances de reverter a decisão pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado. Mas admite que o PT errou em não fazer a reforma política e em não manter um diálogo com a base aliada no Congresso. No domingo (17), a Câmara votou pela continuidade do processo de impeachment de Dilma.
"O que nós colhemos foi resultado de seis anos onde o diálogo do executivo com o legislativo sofreu um déficit muito significativo. O modo de governar da presidente Dilma é um modo em que esse aspecto da conversa, do entendimento, da negociação não é aquilo em que ela sente mais prazer em fazer. Não dá para resolver um déficit de diálogo de seis anos em 15 dias. Nós temos parcela de culpa no que aconteceu", disse o senador em entrevista ao UOL, por telefone.
Além da falta de diálogo de Dilma com o Congresso, Costa admite uma falha dos governos petistas em não fazer reforma política. "Os governos do PT falharam profundamente em não ter feito as reformas políticas. [...] O PT não mudou aquilo que existia anteriormente em termos de cultura política da governabilidade, e de como se construir a governabilidade e a cultura política do financiamento das campanhas", afirmou.
Costa acredita que houve um complô contra Dilma e o PT na Câmara e avalia que há chances de reverter o resultado no Senado. "Se nós não conseguirmos reverter na questão da admissibilidade [a primeira votação, em que o Senado decide se Dilma será afastada, antes do julgamento definitivo pelo impeachment], temos aí seis meses para fazer o julgamento, período no qual ficará
absolutamente claro o complô que foi montado sob a inspiração do vice-presidente, o conspirador mor da República e do senhor Eduardo Cunha, um parlamentar sobre o qual já pairam processos no STF", disse.

 "É possível se reverter [a decisão pelo impeachment] no Senado. Nesse primeiro momento, é um pouco mais difícil porque se trata de uma decisão de uma votação que a maioria simples define a posição do Senado. Mas há algumas características diferentes da Câmara. É um espaço menor de parlamentares e permite um aprofundamento maior sobre o tema", avalia

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