terça-feira, 10 de maio de 2016

Secretária de Segurança justifica uso de escolta policial por ter recebido ameaça de morte

A secretária de Segurança Pública do DF, Márcia de Alencar, foi recebida nesta segunda-feira (9), na Comissão de Segurança da Câmara Legislativa do DF (CLDF), onde foi ouvida por parlamentares. O objetivo do convite foi para esclarecimentos sobre ter aceito, da Casa Militar, escolta para conduzir seus filhos a um colégio, como foi noticiado na imprensa local, ainda no mês de abril, assim como outros fatos que se seguiram, como a contratação da ex-empregada doméstica da secretária, e ainda o passeio do filho em helicóptero do Detran, no dia da votação, na Câmara dos Deputados, pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“Se causei incômodo, peço desculpas", disse Márcia de Alencar. Em sua defesa, afirmando que recebeu a recomendação para aceitar a escolta policial para seus filhos, pelo fato de ter recebido ameaça de morte.
Os trabalhos foram divididos ainda com os deputados Wellington Luiz, Raimundo Ribeiro, Robério Negreiros, Bispo Renato Andrade e Roosevelt Vilela.
Diante da justificativa, a presidente da CLDF, deputada Celina Leão, disse à secretária que ela deveria ter tornado pública a ameaça que teria recebido. “A senhora poderia ter recebido apoio dos deputados distritais para a apuração do caso”, destacou. Mas criticou a contratação da ex-empregada em horário especial de trabalho. “A senhora se envolveu em três situações de desajuste, que poderiam ser evitadas. O importante, talvez seja o formato de tudo isso, que tenha desencadeado esse mal-estar que nós vivemos hoje.
Digo mal-estar porque é muito complicado para mim, que fiz críticas de dentro do Plenário sobre o assunto, e farei todas as vezes, seja contra homem, ou contra mulher, mas faço com pesar, porque sei quanto é difícil para uma mulher chegar a um poder, como é a Secretaria de Segurança Pública. O que nos causou espanto foi que agora sabemos da ameaça de morte. Mas quando a informação chegou para a nós, chegou de forma torta e muito ruim, e isso nos causou indignação”, avaliou Celina, dizendo que talvez o erro foi este, do GDF não denunciar o que estava ocorrendo.
A presidente da Casa ainda falou que tem dois filhos e que também, no governo passado, quando era oposição ao GDF, sofreu ameaças. “O engraçado, é que quando ocorreu isso comigo, encaminhei a denúncia à Secretaria de Segurança Pública e à Polícia Civil e nunca tive retorno. Gostaria que a senhora, neste governo, me desse um retorno sobre a ameaça que sofri. Fui perseguida, vigiada. Mas sempre separei a vida pública da privada. Por mais que seja difícil, sempre é meu marido quem me ajuda. Sempre foi ele quem levou e buscou nossos filhos da escola, porque sabendo na minha dificuldade de horário, e porque vivemos numa sociedade harmônica, diante das ameaças, ele sempre me ajuda”, explicou.
Celina explicou ainda que ao ser ameaçada de morte, tomou providências, como registro ocorrência na CLDF, e fez denúncia do próprio plenário sobre o ocorrido, porque quando somos ameaçadas, especialmente em nosso local de trabalho. “Naquela época o parlamento foi muito solidário comigo e me ofereceu uma escolta, porque era algo claro e notório. Eu não aceitei porque achava que não poderia ser refém de uma estrutura que escolhi para trabalhar. Se eu for viver dessa forma, não conseguiremos ter vida. E por mais que isso aqui seja importante, a minha família é a coisa mais importante da minha vida”, afirmou Celina.
Ao deputado Wellington Luiz, Márcia Alencar admitiu que uma ex-empregada doméstica da família foi contratada na pasta, exercendo cargo comissionado. Mas se defendeu: "ela tem escolaridade compatível ao cargo ocupado, é eficiente e tem competência para o exercício da função". E depois admitiu que filho passeou no helicóptero do Detran-DF.
Além disso, a secretária ressaltou que estaria sendo alvo de perseguição política, pelo fato de estar conseguindo reduzir os índices de criminalidade no DF. E acusou a imprensa de estar mostrando fatos distorcidos por interesses que não são nem da CLDF e nem do governador. “São factoides”, definiu Márcia de Alencar.
 Ascom da deputada Celina Leão


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