quinta-feira, 7 de julho de 2016

As perdas e os sentidos que damos para elas

Por que “raios” o ser humano não foi preparado para lidar melhor com as perdas? Seria tão mais fácil, prático e coerente com a vida que se descortina diante de nós, não é verdade? Falo do lugar de quem sofre bastante quando perde algo. Desde criança, eu era assim, mas admito: já foi bem pior.
Sentia muito a saída da babá, o término do ano letivo (e os amiguinhos que iam embora com ele), e também o fim das férias. Ah, este item em especial era uma novela, assim como era um martírio a volta para casa aos domingos, depois de ter passado o fim de semana na casa dos meus avós. Da mesma forma, os términos de relacionamentos, por mais superficiais que tivessem sido, representavam para mim quase que a morte, descontados, é claro, os devidos exageros. As partidas, as despedidas, os abraços que imaginaria nunca mais dar, o medo, a ruptura, o incerto, o desconhecido, absolutamente tudo isso me trazia dor.
Suponho que algo no meu repertório de vida fez-me crer que as perdas só nos trariam danos. Seria verdade? Foram necessários longos e doloridos anos para eu, finalmente, entender que não, que as perdas não só fazem parte da vida, como dão sentido aos passos percorridos no decorrer da jornada, tornando-nos melhores, sobretudo, como pessoas.
Há uma frase do Padre Fábio de Melo que propõe uma análise ainda mais positiva para o processo de perda: “Perder o que supostamente achávamos que tínhamos não é perda, é libertação”. Ouvir isso me levou para outra dimensão um pouco menos dolorida: a da resignação, que trouxe uma abertura maior para o aprendizado que as coisas da vida são capazes de nos trazer.
Sob uma perspectiva mais espiritual, entendi ser necessário aceitar o que vem, confiando que, por algum motivo, foi o que poderia ocorrer de melhor – seja o que fosse, mesmo eu não compreendendo agora.
Do estado de resignação, tenho tentado caminhar para o de aceitação. Sinto resistência,  medo e tristeza, ainda, principalmente em situações de perdas mais estruturais. É o movimento que no Coaching normalmente chamamos de “deixar ir para deixar vir”. O que é possível soltar? Por que carrego um peso ou luto contra um fluxo que me direciona para o lado oposto do que desejaria seguir?
Nem sempre temos a resposta para tantas indagações. Nem sempre o coração consegue se entender com a razão. O importante, no final das contas, é reconhecer que o processo de aceitação do que a vida traz precisa ser sempre maior que ontem e menor que amanhã.
* Jornalista, empresário, coach ontológico e palestrante e curioso sobre as coisas do sentir.



imagem-logo
© Repórter Malu - 2015 - Todos os direitos reservados.
imagem-logo