quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Maia admite adiar votação da cassação de Cunha se não houver quorum

Conforme tem repetido desde que assumiu o mandato, a votação só ocorrerá se houver quorum suficiente na Casa O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu nesta quarta-feira (24) a possibilidade adiar a votação da cassação do mandato de seu antecessor, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Conforme tem repetido desde que assumiu o mandato, a votação só ocorrerá se houver quorum suficiente na Casa.
"Se estiver baixo na segunda, faz na terça, e, se estiver baixo na terça, vota na quarta. Se também estiver baixo, vota na outra semana, vota outro dia", afirmou o presidente.
Maia convocou a sessão em que o destino de Cunha deve ser decidido para 12 de setembro, uma segunda-feira. Esse é um dos dias da semana em que, historicamente, não há presenças suficientes na Câmara para deliberações importantes. "Se ele conseguir tirar dias 12, 13 e 14 o quorum, eu não voto. E cada um assuma a responsabilidade que vai ter", completou.
O presidente tem dito que não dará seguimento à análise do tema sem que mais de 400 dos 512 parlamentares tenham registrado presença no painel eletrônico. Para que Cunha perca o mandato, são necessários os votos de, pelo menos, 257 deputados a favor dessa tese.
VOTO ABERTO
Adversários de Cunha, contudo, nem acreditam haver necessidade de aguardar de um quorum tão alto. A votação aberta -quando é possível saber como cada um se posicionou-, acreditam, deve inibir aqueles que, caso o pleito fosse fechado, poderiam votar para livrar o peemedebista.
Além de contar com o esvaziamento do plenário, uma outra estratégia de Cunha e aliados para manter o peemedebista no cargo por mais tempo é protelar a votação.
Rodrigo Maia, que foi aliado a Cunha por muito tempo -se afastou dele após não ter o nome bancado pelo peemedebista para a liderança do governo na Câmara quando Michel Temer assumiu a Presidência- diz não "ver problema" em deixar a análise para depois. "Não vejo problema no jogo político. A minha obrigação é pautar e votar com quorum alto".
O deputado afirmou ainda que, mesmo que haja pressões dos "cunhistas", vai colocar em votação a decisão do Conselho de Ética pela cassação de Cunha e não um projeto de resolução, que poderia receber emendas e afrouxar a punição ao peemedebista. "Estou usando a mesma regra dos outros casos". Essa foi uma possibilidade que chegou a ser cogitada pelo grupo que não quer Cunha cassado.
Embora tenha perdido força nos últimos meses com o avanço de seu processo de cassação e, especialmente, com o afastamento da Presidência da Casa e do mandato pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 5 de maio, Cunha ainda mantém um seleto grupo a seu lado. Também carrega consigo o fato de ter dado o pontapé inicial para o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT).
É nisso que se apoiam aliados que ainda têm esperanças de conseguir colocar em prática os planos para protelar ainda mais o afastamento definitivo ou até salvar o mandato de Cunha.  Fonte:Folhapress.

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