sábado, 10 de setembro de 2016

Fotógrafo relata de forma emocionante seu 11 de setembro de 2001

"A era da inocência havia acabado. Eu sou um otimista por natureza, mas é muito difícil pensar assim sobre a evolução dos acontecimentos desencadeados pelo 11/9", disse O 11 de setembro completa 15 anos neste domingo. O atentado que dividiu a história recente em duas partes nunca precisou de legenda. O simples fato de falar a data faz com que todos se lembrem da fatídica terça-feira de 2001, quando mais de 3 mil pessoas morreram em Nova York. Sem contar os atentados do Pentágono e o voo abatido.
Quinze anos depois, os EUA relembram a tragédia. Só bombeiros mortos nas buscas foram 343. O número impressionante de imagens faz com que o dia fique registrado para sempre na memória. Nova York não perdeu sua correria, seu clima de cidade grande. Enorme. 
Abaixo, segue o relato do fotógrafo David Alan Harvey sobre o dia. Ele não costuma trabalhar como fotojornalista, mas precisou ocupar esse posto a pedido de sua agência, a Magnum. Suas palavras sobre a tragédia são impressionantes. 
"Como qualquer outra pessoa, tive dificuldade em lidar com o ataque do World Trade Center de 15 anos atrás. Fotografando para a Agência Magnum, eu estava em Nova York naquele dia de setembro. Essa foto é de um médico do Roosevelt Hospital, que anda contra o horror atrás dele. Uma torre havia caído e, claro, estávamos todos esperando pela segunda cair também. Meu trabalho para a Magnum foi o de ficar no hospital e esperar pelos feridos. Ninguém chegou.
Mais tarde fui para o Ground Zero (local exato do atentado), em seguida, corri para Washington D.C, onde outro avião que carregava dois amigos da National Geographic e um grupo de alunos se desintegrou sobre o Pentágono. Eu estava estarrecido na época e estou agora, enquanto escrevo este texto. Eu não sou fotojornalista. Mas naquele dia fui obrigado a ser e para ser sincero era a única coisa que eu poderia fazer.
(...) Há fotos mais dramáticas do que mina no 11/9. No entanto, este médico solitário à espera da ferida que nunca veio torna-se, em retrospectiva, mais pungente do que alguns dos meus trabalhos no Ground Zero. Comparado com outros, eu estava longe das torres na queda. Porém, todos nós temos cicatrizes, incluindo aqueles que viram pela televisão. Tanta coisa aconteceu em todo o mundo nos últimos 15 anos como um resultado direto do que vemos na minha fotografia. Eu acho que vamos ver ainda mais nos próximos 15. 11/9 estará, infelizmente, com todos nós para sempre. Lembro que momentos antes eu estava tomando café com o meu colega, o fotógrafo Ira Block. Eis que a garçonete veio e disse:
'Eu acho que um avião acidentalmente bateu no Trade Center'.
A era da inocência havia acabado. Eu sou um otimista por natureza, mas é muito difícil pensar assim sobre a evolução dos acontecimentos desencadeados pelo 11/9".

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