terça-feira, 22 de novembro de 2016

Pouco discutido, “comer transtornado” deve ser diagnosticado e tratado

Em geral, problema acomete pessoas com baixa autoestima e com alto grau de insatisfação corporal


 Muitas pessoas não sabem, mas existe um problema pouco abordado chamado “comer transtornado” – um nível um pouco abaixo dos transtornos alimentares já conhecidos. A expressão pode indicar diversos comportamentos em níveis variados, como culpa ao se alimentar e restrições para emagrecimento. O problema acomete, em geral, pessoas de baixa autoestima, com alto grau de insatisfação corporal, podendo haver episódios de traumas, como abuso ou outros diagnósticos, como transtornos de personalidade, como ansiedade e depressão. No entanto, a estrutura de atendimento para esses dois tipos de pacientes é semelhante. Ambos necessitam de consultas periódicas, com atividades voltadas para a demanda de cada caso e metas. “É durante esses momentos que podemos diagnosticar qual a real necessidade de, por exemplo, buscar um extremo controle das calorias ingeridas no dia, ou de se pesar diariamente, ou de onde vem a culpa por comer um alimento considerado proibido”, explica a nutricionista comportamental Karen Carolina. 
 Segundo a profissional, esses e outros questionamentos são levantados e discutidos de forma com que a pessoa possa desconstruir aos poucos a mentalidade de dieta, e assim, estabeleça novos parâmetros de saúde e cuidado, que sejam mais equilibrados e livres do peso da culpa. A Nutrição Comportamental tem como foco provocar mudanças de comportamento alimentar consistentes e saudáveis – física e mentalmente falando. A abordagem visa uma real transformação de mudança de comportamento alimentar, que auxilia as pessoas a mudar sua concepção sobre peso, imagem e alimentação. “Uma ferramenta utilizada em boa parte do tratamento é o diário alimentar adaptado, com registro da alimentação, de percepções de fome, saciedade, sentimento e outros itens, a depender da necessidade”, diz Carolina. 
 O resultado do processo de mudança de comportamento alimentar pode vir por números (menos peso na balança, diminuição no tamanho do manequim, trocar músculo por gordura) e pela mudança de mentalidade (não precisar se pesar diariamente, se sentir livre para comer um chocolate depois do almoço quando sentir vontade, comer algo sem ter remorso e sem exagero), mas que depende de muitas variáveis, como a assiduidade do paciente. Atualmente, os programas preventivos de transtornos alimentares, procuram ter uma linguagem próxima para tratar igualmente o comer transtornado e a obesidade, já que esses têm um forte elo entre si, quando não se retroalimentam. “Por exemplo, uma pessoa com obesidade, que tem compulsão alimentar e que procura cortar os carboidratos para perder peso; apesar de até atingir o objetivo, geralmente piora os quadros de compulsão. Daí a necessidade de uma abordagem que não seja contraditória, que tenha uma visão holística sobre o indivíduo. Entretanto, casos mais graves podem sair do nível ambulatorial, como a anorexia nervosa, requerendo até mesmo internação”. 
 Sobre as profissionais
 Leirice Araújo é nutricionista graduada pela Universidade de Fortaleza. Participou do projeto de extensão PRONUTRA – Programa Interdisciplinar de Nutrição aos Transtornos Alimentares e obesidade. Karen Carolina é nutricionista e autora da página “E agora, nutri?”. Formada pela Universidade de Brasília, é membro da COESAS – Comissão das Especialidades Associdadas, da SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. 
 Serviço
Leirice Araújo e Karen Carolina – Nutrição Comportamental
Endereço: SEPS 709/909, Centro Médico Júlio Adnet, Sala 401 A, Asa Sul, Brasília-DF
Telefone: (61) 3547.9493

imagem-logo
© Repórter Malu - 2015 - Todos os direitos reservados.
imagem-logo