domingo, 5 de novembro de 2017

Desigualdade de gênero no trabalho: 217 anos para acabar, aponta estudo

A boa notícia é que, segundo o relatório, o Brasil resolveu

Daniella, nas dependências da Escola 21: aposta em metodologia de ensino inovadora
diferenças entre mulheres e homens na área da Educação
A igualdade de gênero é assunto preocupante no mundo: depois de uma década, pela primeira vez foi constatado aumento das disparidades entre homens e mulheres no planeta. A informação é do Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2017. Por causa da queda da participação feminina na política, por exemplo, o Brasil caiu 11 posições no ranking, em apenas um ano. Pelo cálculo atual, seriam necessários 217 anos para acabar com a desigualdade no mercado de trabalho.

Mas, nem tudo está perdido para o Brasil. Apesar da piora na classificação, o relatório destaca que o Brasil resolveu suas diferenças de gênero na área de educação. Este setor conta com mulheres empreendedoras que, além de não ter medo de desafios, expandem os negócios. É o caso, por exemplo, de Daniella Asevedo, dona de duas escolas de Educação Infantil no Distrito Federal, uma no Guará e outra no Gama. Daniella, hoje com 38 anos, se lançou como empresária nesse setor há oito. As iniciativas deram tão certo que ela resolveu apostar no segmento de novo, e, este ano, abre mais uma unidade de ensino, agora na Asa Sul (Brasília, DF), a Escola 21. O novo empreendimento tem como desafio ser o pioneiro em Brasília a oferecer a metodologia de Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP).

“Pela ABP, as crianças têm a oportunidade de planejar e decidir o que estudar, de acordo com seu nível de maturidade, e dentro dos limites impostos pelo conteúdo curricular obrigatório, o que fortalece seu senso de responsabilidade e cria engajamento. O planejamento é feito em conjunto com o professor”, explica a empresária, casada e mãe de dois filhos.

Segundo Daniella, o investimento em uma metodologia de ensino inovadora, e na capital federal, é desafiador, e, ao mesmo tempo, motivador.

“O diferencial de ensino são a prática, os recursos e o envolvimento dos alunos no desenvolvimento dos projetos e a concretização de cada conteúdo de forma participativa e envolvente, compartilhando os resultados com a turma”, explica.

Mestre em Administração de Empresas e pós-graduada em Gestão Empresarial, Sônia Sacramento explica que a participação feminina em áreas que antes não tinham tanto interesse representa uma quebra de paradigma fundamental para o desenvolvimento do mercado de trabalho.

“A mulher tem uma visão mais flexível e consegue gerenciar problemas com mais facilidade, e, quando esse trabalho é feito em conjunto com o homem, que também tem características bem peculiares, ambos conseguem aumentar a produtividade e gerar excelentes resultados para a empresa”, afirma Sônia.

No caso de Daniella, a explicação da especialista não poderia estar mais correta: a empresária abre a unidade com Alexandre Peixoto, sócio-idealizador da Escola 21.

“Oferecer educação de qualidade é o nosso objetivo. O investimento feito nas crianças é essencial para que se tornem cidadãos mais responsáveis e cada vez mais conscientes”, conclui Daniella.

Sobre o Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2017

Representantes do estudo explicam que estamos vivendo uma era de transição do capitalismo para a do talentismo. A competitividade em níveis nacional e de negócios será decidida pela capacidade de inovação de um país ou uma empresa. Quem entende a integração das mulheres como uma importante força dentro do seu grupo de talentos terá mais sucesso. O relatório indica que, se a lacuna de gênero na área econômica em todo o mundo fosse reduzida a 25% até 2025, haveria um acréscimo de US$ 5,3 trilhões ao Produto Interno Bruto, o PIB, que é soma dos bens e serviços produzidos, em âmbito global.

Outros dados

Já uma pesquisa do Sebrae e do Global Entrepreneurship Monitor aponta que, nos últimos 14 anos, o empreendedorismo feminino cresceu 34% no país. As mulheres conseguiram criar novos negócios na mesma proporção que os homens, sendo que mais de 7,9 milhões de mulheres abriram empresas. Elas também passaram a atuar em outros setores, que antes tinham como maioria os homens. Entre eles, a área de tecnologia. Outra área promissora e de fundamental importância para o País, a Educação, também tem investimento feminino, uma vez que, além de ocuparem cargos de liderança, as mulheres estão expandindo os negócios nesse setor.

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