Cia. Sansacroma (SP) compartilha conhecimentos no Centro de Dança do DF

Gal Martins e Ciça Coutinho trazem a Brasília suas experiências e proposições estéticas e políticas em torno do corpo negro

De 25 a 28 de abril, o Centro de Dança do Distrito Federal recebe membros da companhia paulistana Sansacroma para uma maratona de atividades de compartilhamento de conhecimentos. O grupo, cujo ponto de partida está em poéticas e políticas do corpo negro, realiza a oficina “Dança da indignação – memórias e metodologias de uma dança negra”, ministrada por Gal Martins e Ciça Coutinho. Gal também participa da ação Tête-à-Tête e lança o livro “A dança da indignação”. Para completar, será exibida a 2ª edição do Programa Retratos, uma série de videodanças com dançarinos da companhia. Toda a programação é gratuita.

Com 30 vagas preenchidas por ordem de chegada, a oficina “Dança da indignação” acontece nos dias 25, 26 e 27 de abril, das 18h às 22h, e ainda em 28 de abril, das 15h às 18h. Voltada a pessoas a partir dos 16 anos interessadas em práticas de dança, apresenta o conceito homônimo criado por Gal Martins, diretora da companhia, que propõe uma linguagem estética em dança que possa reverberar as indignações sociais e pessoais. A abordagem política traz signos e elementos de uma singularidade entre arte e vida. Por quê, para quê e para quem estamos produzindo dança? São as questões que tornam emergencial o amadurecimento de um corpo revolucionário, fundamentado na resistência e no engajamento. Na relação entre corpo e contexto, reflete-se sobre os desafios de se produzir dança contemporânea nas “bordas da cidade” e em interação com o circuito cultural das regiões centrais, eliminando barreiras territoriais.

Ao final da oficina, no dia 28, às 18h, Gal Martins lança o livro “A dança da indignação” e, em seguida, às 19h, protagoniza o Tête-à-Tête, uma espécie de entrevista coletiva com a participação de outros artistas, teóricos e pesquisadores, potencializando o contato entre agentes da cadeia da dança e públicos. Com sua produção artística que se relaciona também com a história e a afirmação, Gal poderá falar de como se constrói e reconstrói uma memória no agora.

Enquanto isso, das 18h às 21h, estará sendo exibida a 2ª edição do Programa Retratos, que reúne seis curtas-metragens com bailarinos da companhia, dançando em homenagem a personagens importantes da comunidade periférica paulistana. Estes cidadãos recebem a visita dos intérpretes-criadores, que ouvem suas histórias e, a partir delas, criam uma coreografia, registrada em vídeo.

Esta temporada abre as ações da linha curatorial “Dança e Memória”, que delimita as práticas da programação do Centro de Dança até meados de junho. Como a própria experiência coreográfica pode tratar da memória da dança? Como diferentes perspectivas históricas podem ser processadas no corpo, em imagens e em textos? Como a dança – enxergada exclusivamente em sua imaterialidade efêmera – pode implicar-se diretamente na história de seu país, indo além da “história oficial” narrada nos livros ou de danças sobre temas históricos, dando movimento aos seus próprios percursos? Como a coreografia pode ser entendida como um dispositivo de documentação e registro da experiência criativa na dança?

 MINICURRÍCULOS

Gal Martins – Dançarina, atriz, coreógrafa e gestora cultural. Estuda Ciências Sociais na Uninove e é pesquisadora da dança negra e diaspórica há 20 anos. Em 2002, criou a Cia. Sansacroma, grupo paulistano de dança negra contemporânea que possui uma atuação artística e política no extremo sul de São Paulo, tendo como ponto de partida as poéticas do corpo negro, batizado de indigenordestinafricano. Coordenou o Núcleo de Artes do Corpo e Música da Fábrica de Criatividade, o projeto Educar Dançando do Balé da Cidade de São Paulo e o Programa de Cultura e Lazer da Ação Comunitária do Brasil. Em 2011, foi vice-presidente da Cooperativa Paulista de Dança. Recebeu o Prêmio Criando Asas (Red Bull e Instituto Criar de TV e Cinema), em 2007, pelo projeto “Imagens de Uma Vida Simples”, com espetáculo e documentário sobre a vida e obra de Solano Trindade. Em 2014, recebeu o Prêmio Denilton Gomes na categoria Difusão em Dança. Em 2016, foi eleita uma das 10 personalidades negras do país pelo canal Pretinho Mais que Básico. Idealizou a zona AGBARA, projeto destinado à produção em dança de pretas e gordas. É membro do Fórum Danças Contemporâneas: Corporalidades Plurais.

 Ciça Coutinho – Bailarina afro e contemporânea. Pratica dança afro no Núcleo de Dança e Teatralidades, ligado ao Grupo Terreiro de Investigações Cênicas da Unesp. Desenvolveu recentemente um trabalho de dança afro contemporânea para dois clipes da Banda Projeto Vinagrete. Integrou o projeto Mulheres na Dança, representando a dança afro, com a coreografia “Tempestade, Eparrey”, que versa sobre o feminino através da identificação da libertação do corpo pela força do orixá Iansã. É bailarina da companhia de dança contemporânea INcena, vinculada ao grupo de pesquisa “Dança, estética e educação” (Unesp), do qual também faz parte. É pedagoga formada pela Universidade Federal de São Carlos. Tem experiência em docência de dança (dança afro, danças populares brasileiras, expressão corporal e balé clássico) para crianças, adolescentes e professores. É intérprete-criadora da Cia. Sansacroma desde 2013.

Livro “A dança da indignação” – De Gal Martins, Djalma Moura e Rodrigo Reis, apresenta a trajetória da Cia. Sansacroma desde seu nascimento, há 15 anos, no Capão Redondo, na periferia sul de São Paulo. A publicação relembra os espetáculos criados pela companhia – “Negro por Brasil” (2002), “Orfeu Dilacerado” (2006), “Solanidade” (2007), “Solano em Rascunhos” (2008), “Angu de Pagu” (2010), “Marchas” (2012), “Máquina de Fazer Falar” (2012), “Outras portas, outras pontes” (2012) e “Sociedade dos Improdutivos” (2015) – e outras produções e ações do grupo, a exemplo do Circuito Vozes do Corpo, mostra de danças contemporâneas, cuja oitava edição aconteceu em 2017. O livro também discorre sobre a pesquisa e metodologia de criação em dança desenvolvida por Gal Martins, denominada de “Dança da indignação”, cujo conceito pressupõe uma linguagem estética que pretende reverberar indignações coletivas numa abordagem política. “A ideia é compartilhar com artistas e não artistas os caminhos de nossa criação em dança que perpassam por questões que nos afetam cotidianamente, seja nas relações sociais, políticas e/ou poéticas”, conta Gal.

 Programa Retratos – A proposta do projeto é retratar e registrar em vídeos a vida, a luta e as histórias de personagens relevantes para a população periférica da cidade de São Paulo. Na sua 2ª edição, faz uma homenagem à figura dos griôs, importantes na estrutura social da maioria dos países da África Ocidental, com a função primordial de informar, educar e transmitir conhecimento. Intérpretes-criadores da Cia. Sansacroma visitaram as casas de pessoas que assumem esta mesma tarefa na capital paulista, escutaram suas histórias e, a partir de suas narrativas, criaram coreografias, que viraram videodanças.

Centro de Dança do DF – Fundado em 1993 e com histórico fundamental para a cena da dança brasiliense e brasileira, o Centro de Dança oferece espaço físico de ponta para o desenvolvimento de atividades que desdobrem e contribuam para as políticas públicas do setor. Tendo sido locus de companhias importantes como ASQ, Alaya Dança, baSiraH, Beton, Grupo Stillo, entre outras, o Centro passou a fazer parte, em 2009, dos equipamentos públicos de cultura gerenciados pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal.

O Centro de Dança do DF foi reaberto em fevereiro, após cinco anos fechado e uma ampla reforma que requalificou toda sua estrutura, com valor aproximado de R$ 3,2 milhões financiados pela Terracap (Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal). Estão renovadas as suas cinco salas de práticas corporais, sete salas de produção, gestão e reflexão teórica, além de videoteca, jardim interno, salão de estar e cozinha.

A gestão da programação do local está sendo conduzida pela Secretaria de Cultura em parceria com a Conexões Criativas, associação selecionada por meio de edital público. A colaboração é baseada na Lei Federal 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC), está integrada ao programa “Lugar de Cultura”, de valorização e preservação do patrimônio da cidade, e alinhada à Política de Estímulo e Valorização da Dança do DF. 

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