Após facada em Bolsonaro, analistas aguardam as próximas pesquisas para saber o rumo das eleições

Próximas pesquisas mostrarão rumos das eleições de 2018. Montagem: Ciro, Alckmin, Haddad e Marina
O cientista político Carlos Melo, professor do Insper (SP) fez uma análise para a coluna Repórter Brasília, sobre a última pesquisa divulgada pelo IBOPE sobre a corrida presidencial onde o candidato Jair Bolsonaro (PSL), aparece consolidando o seu eleitor no primeiro turno e também, robustecendo sua rejeição, no segundo turno. Assinalou que, agora, após o episódio da facada, em Juiz de Fora, não se sabe mais o que pode acontecer. “Já há muito tempo eu venho achando que Bolsonaro é forte candidato ao segundo turno, e essa pesquisa reforçou essa impressão”, afirmou o cientista político.
Próximas pesquisas
Agressão à Jair Bolsonaro (foto) , um ataque à democracia brasileira.
Carlos Melo lembra: “é claro que essa pesquisa é a primeira depois do início do horário eleitoral; é claro que o Bolsonaro vem tomando pancada pra caramba, de todos os lados, principalmente do Alckmin, e é claro que a gente vai ter que ver mais uma ou duas pesquisas para saber qual o efeito disso. Segunda-feira (10), teremos a pesquisa do Datafolha, e a partir daí a gente pode avaliar se aquilo se consolida”, afirma o professor.
Na parte mais intermediária da pesquisa, avalia Carlos Melo; você tem o Ciro crescendo e já empatando com a Marina. “Me parece que o Ciro aproveitou bem a televisão. Não só o programa eleitoral, mas a sabatina no Jornal Nacional e todas as exposições”. Na opinião do professor, Ciro é um sujeito que fala muito bem. Tudo o que ele fala, às vezes, tem que ser checado, mas de qualquer forma ele fala bem”. Outro ponto destacado pelo cientista político é o eleitor indeciso, o eleitor que está no processo de migração do Lula para outro candidato. Me parece que ele abocanhou ali alguns votinhos e, está empatado com a Marina. Isso será uma tendência? Questiona e já responde: “ Não se sabe, por isso, a necessidade de ter para a gente fechar a tendência”.
Mulheres eleitoras
Perguntado sobre os 52% de mulheres que podem definir uma tendência. Disse que 52% se refere à parcela do eleitorado feminino, no total. Se você conseguir a proeza de se incompatibilizar com todas as mulheres, nem sequer está eleito, é mais da metade do eleitorado”, frisou.
Jair Bolsonaro
Na avaliação de Carlos Melo, “normalmente é o tipo de eleitor que demora mais para se definir. Parece que é menos emocional, pensa um pouco mais, enfim, é um grande problema para o Jair Bolsonaro, porque se você for pegar a quantidade de votos dele, ele tem um terço de votos femininos; e dois terços de votos masculinos”.
Polêmicas com mulheres e negros
Tem que se levar em conta a rejeição de Jair Bolsonaro no eleitoral feminino. E tem outra questão que é interessante, considera Carlos Melo, porque “se você for pegar a mulher e negro, se a população afrodescendente mulher for 50% também, você vai pegar a mulher negra e o homem negro, você vai ter uma quantidade extraordinária de eleitores com quem o Jair Bolsonaro andou se metendo em polêmica”.
Decisivo no Segundo Turno
Jair Bolsonaro se mete em polêmica em relação à questão da mulher, ele se mete em polêmica em relação ao negro, inclusive, “de alguma forma, desqualificando o processo de escravidão no País. É claro que isso tende a ter uma rejeição muito grande, você está falando de um contingente nacional enorme com quem ele se meteu em escaramuças. Acho que isso é decisivo no segundo turno”, avalia o cientista político.
Haddad como candidato de Lula
O que a pesquisa não mostra, avalia o professor Carlos Melo, e vamos ter que esperar para ver, é que o Fernando Haddad não é colocado nas pesquisas como candidato do Lula, ele é colocado como candidato do Haddad. “Vamos precisar ter alguns dias para ver como vai reagir o Fernando Haddad quando ele aparecer para todo mundo como o candidato do Lula, e aí a gente vai ter uma noção do potencial dele e, também ver quem é que vai para o segundo turno com o Bolsonaro”.
O cientista político Carlos Melo, ainda em relação à pesquisa, diz que “o Alckmin, com as mesmas condições que o Ciro, com muito mais tempo de televisão, capilaridade em termos de máquina a e tudo mais, cresceu menos que o Ciro”.
100 por cento certo
O professor contou que há poucos dias estava ministrando uma palestra e um executivo de um grande banco perguntou, porque as coisas podem dar certo com o Ciro, podem dar certo com a Marina, com o Haddad e porque não podem dar certo com o Geraldo Alckmin?
“Achei uma pergunta ótima. Me pus a pensar e respondi o seguinte: se der 70% certo para o Fernando Haddad, ele está dentro; se der 70% para o Ciro, ele está dentro e, para a Marina também. Já para o Alckmin, tem que dar 100% certo; e é muito difícil dar tudo certo. ”
Mais uma vez Carlos Melo lembra que há necessidade de esperar um pouco mais, verificar as novas pesquisas, para ver se tem uma tendência de subida, e qual é a velocidade dessa subida. Mas se demorar para pegar corpo e os outros continuarem subindo também, talvez fique para trás. Mas a gente precisa ver as pesquisas. Vamos esperar outras pesquisas para a gente ter mais certeza nesse processo”, aconselhou.
Facada no Bolsonaro
Sobre a facada no candidato Jair Bolsonaro, o professor Carlos Melo, acentuou que “não precisa dizer que isso é lamentável”. Em termos eleitorais, acho que “o episódio deixa o eleitor do Bolsonaro ainda mais convicto e radicalizado. É um eleitor capaz de se pintar para a guerra. Agora será que amplia o eleitorado?  Esta é uma questão importante, porque se é verdade que é um absurdo, um candidato, qualquer candidato, qualquer eleição, qualquer pessoa, receber uma facada; por outro lado, ele é a vítima, vai ser martirizado, e é verdade também que tem o antídoto em relação a isso, porque ele é o cara do discurso à violência.
Cenário com arma de fogo
“Imagina que fossem liberadas as armas, como Jair Bolsonaro quer que seja no Brasil, e o sujeito estivesse com um revólver e não com uma faca”, questiona o professor Melo, dando a resposta: “já era. Estava morto”.  E comenta: “é verdade que de um lado, ele entra numa franja de martirização, que claro que faz sentido, mas de outro lado, esse próprio ato leva a questionar o discurso dele. Tem uma ambiguidade e a gente vai ver como que isso vai se reproduzir nas pesquisas”, salientou.
Na verdade, as pesquisas vão captar o que está acontecendo. Agora, quando capta também forma opinião. Vamos esperar.
Mermes de ódio
Enquanto isso, meses de ódio que invadem as mídias sociais, assustam as pessoas. A leitora Teresa Cristina Machado me mandou uma mensagem via WhatsApp, dizendo que está apavorada com os meses de ódio e vibração com o atentado ao Bolsonaro”. Ela diz que, “independente de ideologias, é a vida de alguém. Que horror, perdemos tudo mesmo, né? Ética, moral, humanidade, civilidade. Um novo presidente não basta, precisamos de um milagreiro que nos recupere a alma mesmo”, criticou.
Do senador Paulo Paim (PT-RS), recebi: “A violência fere a dignidade humana e a intolerância política atinge frontalmente a democracia. Sabemos com o elas iniciam, mas não sabemos como elas terminam… A história registra. Muita calma neste momento”.
Criditoa:Edgar Lisboa


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