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O ano de 2018 é marcado por uma guerra tarifária e comercial entre as duas maiores economias do mundo, a China e os Estados Unidos da América (EUA). O economista e especialista em gestão estratégica do comércio exterior, Juliano Vargas, explica as questões motivadoras do conflito.”O governo americano alega que os chineses têm usurpado de tecnologias e direitos de propriedade intelectual”, conta o economista. Mas, para Juliano, a principal razão é o temor americano de perder o posto de maior economia do mundo.

 Enquanto esses gigantes disputam, impactos comerciais ecoam pelo globo. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) afirma em nota que movimentos adotados pelos governos de EUA e China têm potencial de impacto relevante para determinados setores da economia brasileira. O ministério também alega que apesar da escalada protecionista dos dois países, o Brasil se coloca na direção oposta, ao buscar negociações de abertura de mercados com outros países. “O Brasil tem tido alguns ganhos de curto prazo, como por exemplo a soja. Mas o certo é que em uma guerra comercial, ao fim e ao cabo, todos perdem”, explica Juliano.

 Em abril, a China anunciou taxação de 25% sobre o valor da tonelada da soja americana, como retaliação a taxação de eletrônicos. Desde então a variação bruta da exportação de soja brasileira para China foi de U$ 3,6 bilhões, ao comparar o período de janeiro a agosto de 2017 e 2018, de acordo com as estatísticas de comércio exterior do MDIC.

 O professor de relações internacionais e especialista em comércio exterior da Universidade de Brasília, Alcides Vaz, não nutre otimismo em relação a este ganho. “Eu acho que o impacto desse tipo de disputa comercial pode favorecer alguns produtos brasileiros, mas tem que levar em conta que é circunstancial”, afirma Alcides. O professor explica que o Brasil e economias emergentes dependem de um ambiente de expansão do comércio internacional para crescerem. O economista Juliano Vargas compartilha um argumento similar. “O Brasil como uma potência intermediária, junto de todos os mercados emergentes, são os que vão mais sofrer“, revela Juliano.
Juliano Vargas, especialista em comércio exterior,da faculdade de economia da UnB
A dificuldade de uma mediação comercial

 Em julho deste ano o governo chinês encaminhou um relatório para a Organização Mundial do Comércio (OMC) criticando as medidas protecionistas americanas e solicitando mediação do organismo internacional. Mas a OMC tem tido problemas para julgar disputas comerciais em razão da própria guerra tarifária.

 De acordo com o estatuto da OMC, o órgão de apelação Dispute Settlement Body (Mecanismo de Solução de Controvérsias) é formado por sete membros com mandatos de quatro anos, renováveis por mais quatro. As nomeações desses membros são feitas pelos países membros do Conselho de Segurança da ONU, do qual tanto China e EUA fazem parte. Todos os 164 estados-membros ao integrarem a OMC concordam em resolver suas disputas por meio do Mecanismo de Solução de Controvérsias.

 A diplomata e ex-membro da Delegação do Brasil junto à OMC por três anos, Valéria Mendes, compartilha a visão pessoal sobre o assunto. “O Trump desde que entrou não está mais autorizando nem aqueles membros a renovar o mandato e nem está preenchendo a cadeira dos membros que estão saindo”, explica Valéria. A diplomata acrescenta que um colegiado formado de sete membros, hoje conta com três. “Essas três pessoas já têm um monte de casos para resolver e não conseguem pegar outros”, esclarece Valéria.

 Para o economista Juliano o bloqueio das nomeações faz parte da estratégia americana diante da disputa tarifária com a China. “A OMC está sem força para impor sanções e  frear essa guerra comercial que afeta todos nós, inclusive o Brasil”, afirma Juliano. O professor Alcides e a diplomata Valéria revelam que o multilateralismo econômico estruturado pela OMC é bastante interessante para países emergentes. A razão é que as regras aplicadas pela organização colocam todos os estados-membros em pé de igualdade. ”A questão da OMC ,sem dúvidas, não é uma boa notícia para o Brasil”, conta Alcides.



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