Artigo: O SINCERICÍDIO DO GENERAL

Falar a verdade para alguém, quando não deveria
 “Quem tem amigo assim não precisa de inimigos”. Essa frase emblemática é um dito popular muito falado no Brasil. Casa como uma luva, com o que está acontecendo atualmente nas hostes da campanha de Bolsonaro, enquanto o candidato do PSL se recupera fisicamente e aguarda a alta hospitalar, no Hospital Israelita Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo.
Os dias e as noites não estão sendo fáceis para o presidenciável, que lidera as pesquisas de opiniões. O desconforto além da saúde é na campanha. Tem de administrar o “Fogo amigo” dos companheiros, da melhor forma que pode ser ouvido – pelo twitter e rede sociais e ainda manter sua campanha em alta abastecendo a militância. 

No mês passado, mais precisamente no dia 6, em um evento em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, quando falava do subdesenvolvimento do País e da América Latina, o general Mourão, que é candidato a vice na chapa de Bolsonaro, tirou uma pérola da ostra e cometeu o primeiro sincericídio da temporada. Afirmando que o Brasil herdou a cultura de privilégios dos ibéricos, a indolência dos indígenas e a malandragem dos africanos.

A fala do general foi criticada pelos presidenciáveis, como natural. O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, afirmou que Bolsonaro e Mourão “se merecem”. “Quando o preconceito se junta com a estupidez o resultado é esse”, criticou nas redes sociais.
Já Bolsonaro se desvencilhou da declaração de seu vice. “Ele que explique para vocês, se é que ele falou. Eu não tenho nada a ver com isso”, disse. 

Agora, no seu último compromisso de campanha, na cidade gaúcha de Uruguaiana, numa palestra para lojistas o mesmo general Mourão, tirou outra pérola da ostra e cometeu o seu segundo sincericídio – Desta feita, classificando o décimo-terceiro e as férias como “jabuticabas brasileiras”. Falou para a plateia “Temos algumas jabuticabas que a gente sabe que é uma mochila nas costas de todo empresário. Jabuticabas brasileiras: 13º Salário. Se a gente arrecada 12 [meses], como é que nós pagamos 13º? É complicado. E é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. É aqui no Brasil”. São coisas nossas, a legislação que está aí, é sempre aquela visão dita social, mas com o chapéu dos outros, não é com o chapéu do governo”.

Com a polêmica acesa, Bolsonaro correu às redes sociais para borrifar saliva nas labaredas: ''O 13° salário do trabalhador está previsto no art. 7° da Constituição em capítulo das cláusulas pétreas (não passível de ser suprimido sequer por proposta de emenda à Constituição) ”, escreveu o capitão, antes de chutar a canela do seu vice: “Criticá-lo, além de uma ofensa à quem trabalha (sic), confessa desconhecer a Constituição''.

E para não ficar apenas no general Mourão, o Guru econômico do presidenciável, Paulo Guedes, defendeu, dias atrás, a recriação de impostos nos moldes da CPMF. Bolsonaro e seus aliados apressaram-se em tentar

explicar a proposta do Guru, nas redes sociais, desautorizando-o e dizendo que sua equipe econômica trabalhava para redução de carga tributária, desburocratização e desregulamentações.

De resto é esperar a próxima pérola, ou outro sincericídio. Haja coração.
Será mesmo, que a carreira do capitão foi no Exército? O que me parece é que sua formação foi nos Bombeiros! 
Haja fogo, amigo.

*Milton Atanazio é jornalista, comunicador, árbitro judicial, consultor diplomático, cônsul honorário da Bielorrússia, editor da Revista VOX e Publisher da BrazilianNEWS


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