sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Será que o descafeinado é mesmo uma boa opção?

Apetece-lhe um cafézinho depois do jantar mas recorre ao

descafeinado para evitar perder o sono? Fique a saber se é uma boa decisão ou não.Foi através de um pequeno 'acidente' que nasceu o descafeinado. Por volta de 1900, o alemão Ludwing Roselius descobria aquela que é a escolha para os amantes de café... mas não (dos efeitos) da cafeína.

Mais aguado e de sabor mais suave, o descafeinado rapidamente passou a fazer parte da rotina de muitas pessoas um pouco por todo o mundo, sendo também uma escolha pontual para quem não tem problemas com a cafeína, mas nem sempre quer um café 'à séria'.

Embora possua cafeína - menos cerca de 97% do que a 'bica' tradicional -, o café descafeinado é alvo de um processo de mudança da sua essência. Na prática, para que se consiga tirar a cafeína o grão de café, é necessário que este seja algo de um processo químico ou físico que mantém (dentro do possível) o sabor do café original.
Conta o site Consumer Reports que, no início, Roselius recorria a benzeno no processo de remoção da cafeína, um químico solvente que, mesmo em quantidades pequenas, pode causar dores de cabeça, tonturas e irritações oculares, cutâneas e até mesmo respiratórias. Mas existem outras duas formas de remover a cafeína sem recorrer ao solvente, são elas o uso de dióxido de carbono líquido e o simples uso de água.

Hoje em dia, explica a publicação, o processo de que o grão é alvo é mais seguro e eficaz, tendo sido trocado este solvente por técnicas mais modernas e que não colocam a saúde em risco. Porém, algumas empresas continuam a recorrer a químicos potencialmente nocivos para a saúde, alerta a publicação, que pediu a alguns especialistas para explicarem se o descafeinado é ou não uma boa alternativa para quem não pode ou não quer ingerir cafeína.
Como referem os especialistas ouvidos, enquanto os métodos que recorrem ao dióxido de carbono ou à água são considerados isentos de químicos e seguros para a saúde humana, o método que ainda faz uso de solvente depende do tipo de produtos químicos sintéticos escolhidos. Algumas empresas recorrem ao acetato de etilo (comummente encontrado em algumas frutas) ou ao cloreto de metileno (que é usado em objetos industriais, como adesivos, tintas e produtos farmacêuticos).

Quanto questionados sobre o facto de o descafeinado ser ou não uma boa opção para a saúde, os especialistas ouvidos pelo site Consumer Reports defendem que os cafés descafeinados que têm origem num processo que usa água ou dióxido de carbono não apresentam qualquer tipo de risco para a saúde, enquanto as versões que são alvo de um processamento químico podem portar alguns riscos, embora tal ainda gere alguma controvérsia.

De qualquer modo, defendem, os solventes usados nos dias que correm são claramente mais seguros do que aqueles usados há um século, tendo a Food and Drugs Administration (FDA) concluído, em 1999, que os níveis de químicos potencialmente perigosos são demasiado pequenos para afetsrem a saúde.

Para prevenir males maiores, dizem os entendidos, nada como ler com atenção o rótulo da embalagem de café descafeinado que se vai comprar, tentando perceber qual o método de que foi alvo. Quando o rótulo não é de todo claro, então o mais indicado é optar sempre por versões de produção orgânica, pois são sempre isentas de todo e qualquer químico.

Quanto aos benefícios do descafeinado para a saúde, a certeza é uma: ficam muito aquém dos benefícios do café, uma vez que estes devem-se, em grande parte, à cafeína. Afinal, está mais do que comprovado de que o café dá anos de vida.

imagem-logo
© Repórter Malu - 2015 - Todos os direitos reservados.
imagem-logo